quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Não era chuva: eram lágrimas do céu

Área onde foram veladas as vítimas. Foto: Lucas Malheiros
Eram 7 horas da manhã de sábado, dia 03 de novembro, quando estacionei o carro na Rua Barão do Rio Branco, em Chapecó-SC. Chovia muito. Torrencialmente. Ao descer do carro já ouvi uma música calma, ao som de violinos, dando o tom de tristeza, prenunciando o dia mais difícil de todas aquelas pessoas que estavam na cidade.

Dobrei a esquina e subi uma quadra à pé, guiado por aquele som. Depois de alguns metros, cheguei à Arena Condá, casa da Chapecoense. Um telão exibia o escudo da “Chape” e filas gigantescas e silenciosas tomavam conta das ruas na lateral do estádio.

Comprei uma capa de chuva, mas pouco me importava à agua que caía do céu. Eu estava tomado por uma profunda tristeza. Fui retirar minha pulseira na área de imprensa e me surpreendi com a gentileza dos profissionais, como se eles fossem um velho amigo nos consolando naquele momento doloroso.
A tristeza se aprofundou – ou se materializou – quando ingressei no gramado da Arena Condá. Lá estavam profissionais de imprensa de todo o mundo. A torcida entoava gritos de guerra que vinham do fundo da sua alma. O coração, dilacerado, resistia. Tinha que resistir. A Chapecoense precisava que resistisse.

Torcida começava a ocupar as arquibancadas da Arena Condá. Foto: Lucas Malheiros
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Torcidas de todo o Brasil mandaram suas bandeiras para prestar solidariedade. Vi bandeiras do Bahia, Joinvile, Paisandú, Cruzeiro entre outras. Um pequeno grupo de torcedores do Atlético Paranaense também estava presente para prestar solidariedade.

A chuva continuava forte, torrencial. O telão começa a mostrar imagens do aeroporto de Chapecó. Quando o avião pousou, palmas emocionadas eram ouvidas e um sentimento de aflição tomou conta da atmosfera no estádio. Apesar de todos estarem sofrendo e acompanhando ao longo da semana, a tragédia estava distante do Brasil e de Chapecó. Parecia não ser verdade tudo aquilo. Todos estavam esperando ver o avião da Chapecoense pousando, com todos comemorando. Mas a sombria imagem mostrava os “Hércules” da FAB transportando apenas corpos. A tragédia era verdade.

Nesse momento, o silêncio é absoluto. Impressionante. 15 mil vozes caladas. Olhares distantes. Mãos no rosto. As lágrimas dos céus se confundiam com as lágrimas de tristeza ao escorrer pela face. Só havia força para chorar.

Torcedores ficaram em absoluto silêncio nas arquibancadas. Foto: Lucas Malheiros
Enquanto o cortejo se diria ao estádio, novamente um sentimento de negação e expectativa foi tomando conta da Arena Condá. Torcedores, familiares e imprensa queriam terminar logo com aquilo para tentar dormir em paz, mas, ao mesmo tempo, não queriam que aqueles caminhões chegassem até ali. Não podia ser verdade. Não queríamos que fosse.

Quando o primeiro caminhão apontou no portão da Rua Clevelândia, ornamentado com faixas de fundo preto e símbolo da “Chape”, o chão se desfez. A tragédia estava materializada. “O campeão voltou”, grita a torcida. É impossível não se emocionar.

Momento em que chega o cortejo. Foto: Reprodução
Nessa hora, a chuva atinge seu ponto mais forte, igual às lágrimas que escorriam em cada pessoa dentro daquele estádio. Parecia que o céu acompanhava o sofrimento de cada torcedor. Sentia o mesmo que a gente. Chorava na mesma intensidade de acordo com o seguimento dos fatos.

Um por um os campeões realizam sua última volta olímpica no seu estádio, infelizmente carregados por militares do exercito.

Militares carregam os caixões com jogadores. Foto: Zero Hora
Durante a cerimônia foram convidadas diversas crianças para entrar no gramado, vestidas com o uniforme do clube. Era a renovação. A esperança. No mesmo minuto, a chuva cessa. Como por milagre. Para não encharcar os jovens que serão o futuro daquele time. O futuro. As futuras alegrias. Foi nessa hora que percebi que a chuva não era um fenômeno da natureza. Eram lágrimas do céu. Lágrimas de quem não compreendia como aquilo estava acontecendo. O céu não iria derramar seu choro sobre aquelas crianças que estavam ali para nos dar esperança e fazer o sorriso ressurgir.

Assim que as crianças deixaram o gramado, a chuva retornou. As lágrimas retornaram. E assim foi até o fim.

Como posso afirmar que realmente não era um fenômeno da natureza? A resposta é simples:

Ao terminar o velório, a chuva parou e o sol recomeçou à aparecer.

O dia 3 de dezembro será inesquecível para mim. Foi o dia em que presenciei o capítulo final da maior tragédia do esporte mundial. O dia em que o céu chorou junto, na mesma intensidade, com cada pessoa presente na Arena Condá, em Chapecó-SC.

Arena Condá em Chapecó-SC.


terça-feira, 24 de novembro de 2015

O ENART de gigantes



Acabou mais um ENART. Meu segundo à frente do CTG Tropilha Farrapa.

Não conseguimos a classificação que nossa entidade merecia. A explicação? Pode ser técnica, supersticiosa, divina, etc. Agora não importa mais. Acabou. Só em 2016. Para todos os 80 grupos que lá estavam.

O que nos resta é continuar aperfeiçoando individual e coletivamente. Até aqueles que vencem. Chegar pode ser difícil e demorado. Se manter é mais trabalhoso ainda. Cada um tem sua forma de se motivar.
Ainda sinto uma mescla de alegria e tristeza; reflexivo sobre tudo que presenciei no festival. Teve justiças e injustiças; polêmicas e muitas histórias interessantes.

Não vou criticar ou elogiar ninguém. Na posição que estou dentro da minha entidade, ou que o presidente do movimento e sub-diretor de danças estão na deles, precisamos fazer escolhas de métodos e pessoas e nem sempre vamos agradar à todos. Respeito isso. Respeito muito.

Já fui instransigente, talvez até desrespeitoso em tempos distantes. Aprendi com isso. O tempo é o senhor da razão e nos traz maturidade.

Fiz amigos. Bons e grandes amigos que foram ou são dançarinos, instrutores, avaliadores, ou se revezam nessas três esferas. Aprendi com todos eles.

Assim como ouvi injustiças (inclusive algumas à meu respeito e ao meu trabalho), ontem pude ver o respeito. A recontagem das notas na presença de integrantes dos CTG envolvidos foi histórica, mesmo que fosse em uma situação extremamente desagradável.

Não me incluo no coral dos descontentes. Acho, francamente, que está na hora dos participantes e do público do ENART "virar o disco" que começou a tocar em 2001 contra o Aldeia do Anjos. Tanto eles, como o Tiarayú, estão com o grito entalado há 5 anos. Ambos queriam ser campeões e ensaiaram para isso. Investiram nos seus trajes. Inovaram nas coreografias ao invés de trazer guerras e mais guerras, mortes e histórias de amor. Assim conseguiram prender a atenção dos avaliadores e do povo do Rio Grande até ontem à noite, às 20h15 minutos, segundo o instrutor do Tirayú, Ronaldo Estevo, uma pessoa que respeito e é sempre muito cordial, assim como a Carmem e o Marco Aurélio, sempre gentis.

Ouvi a entrevista do presidente Savaris à Rádio Gazeta com voz constrangida. Seu editorial divulgado hoje vale a pena ser lido. Toda a equipe de avaliação deve ter ficado apreensiva. É sua reputação. Ambos ficaram com o coração na mão, Aldeia e Tiarayú, pois estavam em situação delicadíssima: devolver o troféu após toda aquela festa; e o outro receber sem poder ter aproveitado o momento que mais sonhou dentro do ginásio. Os dois com o grito entalado há anos. São gigantes! Tenho certeza que o CTG Tiarayú virá ainda mais forte ano que vem. Ainda mais motivado e proporcionará um espetáculo.

O exemplo de Aldeia e Tiarayú deve ser o "norte" para as invernadas em 2016. Cada um deve se colocar no seu lugar: dançarinos devem ser mais dançarinos ao invés de querer ser instrutores, avaliadores, "presidentes" ou "Mãe Diná" no facebook. Ser criativos e Respeitar sua bandeira, seu escudo. Sair da zona de conforto e ousar.

Para mim, são exemplos de superação e merecem o respeito de todo o Rio Grande. Seus exemplos me motivam a não desistir e, sim, persistir.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

FEGART x FEGGART

FEGART em 1994 e cartaz do FEGGART 2015
Sou saudosista. E muito. Sinto falta daquilo que muitas vezes não tive o privilégio de viver, de sentir o cheiro, ouvir o barulho e as músicas; como eu teria me vestido e "quem eu gostaria de ser".

Não tive essa chance no FEGART quando ainda era em Farroupilha.

Entretanto, em 1998 o conheci em Santa Cruz do Sul. Era um espectador. Me encantou a forma como era aquela competição: 35 grupos dançando no sábado e, deles, 10 eram classificados para a grande final.

Eu pensava sentado do alto da arquibancada acima da comissão avaliadora: "o quanto era preciso ensaiar para ficar entre esses 10 finalistas? Nossa, apenas 10 de 35?!?!"

Era visível pelo nível apresentado que o concurso era difícil. Tenho por convicção que a dificuldade nos torna ainda mais persistente e perfeccionista. A única forma de aceitar uma derrota é tentando de novo. Assim era o FEGART. E o vi pela última vez. Em 1999 virou ENART e em 2000 passou a ter 15 finalistas.

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17 anos depois do último FEGART, ele tenta voltar com uma letra a mais (agora é FEGGART) e na sua cidade de origem, Farroupilha. Pelo menos, é o que diz a propaganda: "Bateu saudade? Ele voltou..."

O FEGART teve na sua marca a simplicidade do regulamento no que se refere às classificações e quantitativos, além da dificuldade imposta (algo que contribuiu para a elevação do nível das apresentações) devido às vagas disponíveis. Foi nessa época que grandes professores/instrutores surgiram, e que merecem toda nossa admiração pelo seu tempo dedicado e também pelo conhecimento que adquiriram e nos transmitem até hoje. Entre estes homens está Pedro Pedrozo, um dos organizadores do "novo" FEGGART, que tem uma linda, vitoriosa e importante história nesse festival como instrutor e coreógrafo. Um homem com muito conhecimento que esteve à frente do seu tempo, e por isso merece todo o respeito de novas e antigas gerações.

Minha discordância não se trata de pessoas, mas, de fórmulas. Ao contrário do que diz seu slogan, "ele não voltou".

Quando falamos em reviver algo, precisa ser feito tal qual era. Por se tratar de uma "Edição de Ouro", para apenas "reviver" o que seria a fase final do FEGART, teria que ser feito da mesma forma: 35 grupos em sequência, classificando as 10 melhores notas para o domingo, que serão somadas para definir o campeão.

O ENART foi uma "evolução" a partir do FEGART. Mas para REVIVER o saudoso FEGART, não podemos "injetar" as atuais formatações do ENART dentro dele, dividindo em blocos. É até uma heresia com a história desse festival que marcou a vida de tantos gaúchos e gaúchas. A dificuldade que desafiava e alimentava sonhos ano após ano não será revivida. Era a maior marca do FEGART e foi ignorada.

Isso não é reviver, é fazer mais do mesmo. Nada mais é que um concurso paralelo, que imita o formato do ENART, com um nome que representa muito na vida de pessoas e entidades.

Ele não voltou. É apenas um rodeio que tenta repetir o ENART com bom marketing.




quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quem arquivou a CPI?

No último dia 12 de abril, completou um mês do protocolo do primeiro pedido de CPI. Nesses 34 dias, outras duas foram protocoladas e não se falou sobre outro assunto que não fosse a CPI da FENACHIM 2014. Ontem, a Vereadora Presidente do Legislativo, Ana Cláudia, colocou um ponto final.

QUEM ARQUIVOU?

Desde a primeira solicitação de CPI, vários erros foram cometidos, e é importante que a comunidade saiba disso para fazer o seu julgamento:

1. Atropelo na tramitação;

Existe na Câmara de Vereadores diversas comissões temáticas. É composta por três membros efetivos, mas todos os vereadores podem participar da discussão, sem direito a voto. Quando houve dúvida em relação à FENACHIM, os vereadores poderiam ter dirimido todas elas convocando os organizadores e a comissão para prestar esclarecimento com a participação de todos. Sequer foi cogitado isso.

2. Cumprimento de prazos;

A comissão da festa tinha prazo para a apresentação das contas. Esse prazo está estabelecido no projeto de lei APROVADO POR TODOS OS VEREADORES no ano passado.

3. Erros formais (1);

A CPI pode ser instalada com a assinatura de cinco vereadores, desde que obedeça as formalidades. A primeira CPI não tinha objeto (o fato determinado), a segunda também não além de conter sérios erros de formalidade e foi retirada pelo proponente.

4. Atitude da Mesa Diretora;

A Mesa Diretora acatou o pedido da terceira CPI e deu segmento ao trâmite na casa. A Assessoria Jurídica deu parecer favorável à instalação da comissão, e o segmento das indicações para ser instalada. Isso está em entrevistas para rádios e jornais, e também na tribuna da Câmara.

5. Indicações;

Segundo o regimento, as indicações dos membros são feitas pelos Líderes de Bancada. O prazo para as indicações encerravam no dia 02 de abril. PMDB, PDT, PT e PTB protocolaram as indicações.

6. Erros formais (2);

Apenas PMDB e PDT fizeram as indicações pelos líderes de bancada. Os vereadores Cândido (PT) e Celso (PTB) foram indicados por seus assessores, que não exercem cargos eletivos, e não tem prerrogativa para indicar, invalidando os documentos.

7. Regimento Interno;

Qualquer Casa Legislativa é regrada pelo seu Regimento Interno. Nada é feito à revelia deste documento. Qualquer vereador, assessor ou funcionário do legislativo precisa ESTUDAR E SEGUIR o que diz o regimento. Nele estão os procedimentos, e nele está escrito sobre PRAZOS, QUEM INDICA O QUE E QUEM, E COMO É INSTALADA uma CPI. Nada disso foi obedecido.


NOTA DO BLOG

Diante dos itens expostos, volto à pergunta postada acima: QUEM ARQUIVOU?

A resposta é: os vereadores e seus assessores, que não respeitaram o que está disposto no regimento interno da Câmara, documento FUNDAMENTAL para exercer um mandato/cargo no legislativo.

Não estou tratando aqui de julgamento político. É técnico. Simples assim. Estava lá o tempo todo.

A presidente cumpriu as formalidades para a instalação da CPI como manda a lei. Portanto, antes de culpar a Presidente - como alguns já estão tentando fazer - é melhor os vereadores que a propuseram, reavaliar a qualidade do seu trabalho formal, que é inerente ao cargo.

Os dados estão no Sistema de Apoio ao Processo Legislativo, no site da Câmara de Vereadores.

A FENACHIM é "A festa com sabor do Rio Grande", e não "sabor de CPI". A festa deu muito lucro aos empresários que abriram campos de negócios, famílias produtoras que bateram recordes de vendas, cultura ao povo em um momento nacional que a cultura anda tão esquecida, conhecimento a jovens e adultos através de palestras, diversão para crianças e entretenimento entre outras tantas coisas.

O lucro de uma pessoa não é apenas financeiro: é pessoal, intelectual e cultural também. E o município tem, e cumpriu sua obrigação de promover isso de forma gratuita, assim como foi feito na FENACHIM.

Isso é lucro!

Espero que os vereadores tenham o bom senso de não ingressar com outra. A população está cansada da tentativa de destruir nossa maior festa, motivada por desejos meramente pessoais e políticos.

Toda nossa solidariedade aqueles que, assim como eu, defendem a FENACHIM.





terça-feira, 31 de março de 2015

Nossas façanhas de modelo aos governos

A saúde pública no Rio Grande do Sul pode ter iniciado um processo revolucionário, que tem na essência a necessidade, o socorro à uma instituição. O bom exemplo produzido aqui em Venâncio Aires poderá ser o caminho para amenizar os problemas da saúde no estado.

O prefeito de Venâncio Aires, Airton Artus (PDT), anunciou que os prefeitos reunidos na FAMURS hoje pela manhã, decidiram realizar auditorias em seus hospitais, com a finalidade de descobrir desequilíbrios, e equacionar os valores recebidos com o serviço prestado. Artus - que é médico -  diz conhecer hospitais que recebem mais recursos que o Hospital São Sebastião Mártir, e prestam menos serviços.

Assim como a Capital do Chimarrão, o município de Restinga Seca também realizou intervenção em seu hospital. Rio Grande dá sinais que deve intervir em breve. O exemplo poderá ser seguido por outros municípios, caso as auditorias comprovem a existências de problemas graves.

Leonel Brizola, ao ser entrevistado no programa "Roda Viva" em 1994, por ocasião da eleição presidencial, disse que o dinheiro para resolver os problemas públicos sairiam de sua cabeça, porque nenhum governante recebia dinheiro em caixa. O recado de Brizola era claro: chefes de executivos precisam ser criativos, caso queiram dar soluções aos seus problemas. Nunca foi tão atual a lição.

A criatividade dos gestores é a única saída para resolver problemas pontuais. Os prefeitos reunidos na FAMURS dão um importante passo para mudar a fotografia da saúde no Rio Grande do Sul, se houver esse "mutirão" em prol do equilíbrio entre repasses e o serviço prestado. O estado avançará em saúde, além de ser modelo em responsabilidade orçamentária, fiscal e pública.

Nossa façanha - em Venâncio Aires - está servindo de modelo aos municípios, e aos governos.

Mas a vitória continuará sendo dos municípios. Apenas deles.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A ignorância política está fugindo do controle

A campanha em 2014 está da seguinte forma: ou você ama, ou odeia o PT. A grande pergunta é: porque?

A resposta está dentro do próprio PT.

Em 2002, o PT inaugurou uma nova modalidade de campanha eleitoral, diferente das propostas que vinha apresentando em eleições anteriores. Sua espinha dorsal era firmada na desconstrução da imagem de outras candidaturas, deixando a responsabilidade para o eleitor e assim facilitar seu trabalho sem precisar apresentar nenhuma proposta convincente. Descoberta a estratégia perfeita, associada a programas assistenciais, o partido novamente responsabiliza o eleitor à escolher "ficar com o benefício" ou "perdê-lo" - mesmo que o adversário tenha assumido publicamente que não terminará com o benefício - para assim não precisar apresentar mais propostas. Apenas jogar psicologicamente de forma soviética.

Essa fórmula foi repetida em 2006 e 2010. Entretanto, em 2014, ela não vinha sendo aplicada. As pesquisas apontavam vitória fácil contra Aécio e Campos, até que o último cai com seu avião. Junto com ele, cai os números de Dilma e algo mais que poucos perceberam: o nível da campanha.

O PT retoma sua estratégia. Ao detectar a disparada de Marina, começa o seu processo diabólico e odioso de desconstrução do nome dela, promovido pelos xiitas militantes. Não são todos, existem sensatos. Um deles, em alguns aspectos, é Olívio Dutra, nome histórico do partido.

No Rio Grande do Sul, a estratégia é a mesma. Foi assim com Ana Amélia Lemos, que sucumbiu aos violentos ataques. José Ivo Sartori, como dissemos por aqui, "comeu pelas beiradas", e venceu. A "afronta" de Sartori aos petistas fizeram ecoar sonoras trombetas ao som de Anitta: "PRE-PA-RA".

Sartori começou a ser bombardeado no discurso de derrota de Tarso. Sua militância já iniciou a campanha para associar a imagem de Sartori à de Antônio Brito.

Ridículo.

O "pecado" de Sartori é ter feito parte do governo Brito? E Tarso que era Presidente do PT nacional e ministro do Governo Federal durante o mensalão? Na venda da refinaria de Pasadena? durante os roubos na Petrobrás? Se Sartori esteve no governo que "quebrou" o Rio Grande, Tarso esteve no governo em que sua cúpula está presa por corrupção; por lesar a pátria.

Nessa conjuntura eleitoral, é inevitável relembrar que o PT, enquanto um partido que apenas apresentava propostas, sofreu através de Lula um duro golpe em 1989 quando concorria à presidência contra Fernando Collor - hoje seu aliado. Assista, inclusive o que diz Collor ao final, e veja as incríveis semelhanças com o presente:


Foi assim que Collor desconstruiu Lula. E é quase assim, que o PT faz campanha hoje. O atual marqueteiro petista, João Santana, era jornalista político nessa época e recebeu o Prêmio Esso em 1992 por uma das matérias que contribuiu para o Impeachment de Collor. Conseguiu entender?

São velhas táticas aplicadas contra, e posteriormente a favor. Não importa a fórmula. O importante é se manter no poder, custe o que custar.

A ignorância política e o grau de hostilidade está fugindo do controle das pessoas que fazem política.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Eu disse: Venâncio não teria deputado

Na quinta-feira que antecedeu as eleições, escrevi aqui que Venâncio Aires não iria eleger um Deputado pela ausência de alguns critérios, e outros que preferi não relatar.

As urnas ontem comprovaram.

Os candidatos de Venâncio Aires mostraram-se mais uma vez caseiros. Antes da eleição, projetaram números estratosféricos que qualquer papel (ou ouvido) aceita. Na prática, parecem delírios motivados por paixões irracionais. Parecem não ter aprendido com as eleições anteriores. A velha fórmula foi aplicada: especula-se muito para garantir boa votação na "arrancada", porém, não realizam um trabalho persistente e constante em outros municípios.

A falta de recurso deve ser levado em conta. Não para explicar o fracasso nos resultados, e sim, ser considerado antes de colocar o nome à disposição do seu partido.

Tentar explicar a não eleição por falta de unidade municipal virou clichê. E não se sustenta: diversos Deputados eleitos não fizeram votações expressivas nas suas cidades.

Os candidatos Venâncio-airenses repetiram sua margem de fazer entre 50 e 80% dos votos em casa. O restante é lucro apenas.

As entrevistas concedidas pelos quatro candidatos à Rádio Venâncio Aires ainda ontem, foram muito semelhantes. E um ponto fundamental é preciso ser observado para o futuro: enquanto os pretendentes à Assembleia não pensarem a POLÍTICA REGIONAL E ESTADUAL para concorrer, e ficarem usando suas candidaturas para se promover e inflarem seu ego e dos seus partidos; ficando presos às (velhas) POLÍTICAS MUNICIPAIS, o melhor é que nem concorram para evitar o constrangimento, e ficar culpando a população em não ter votado neles. A soberba neste momento de derrota não combina com os discursos feitos durante a campanha.